A Secretaria Especial de Meio Ambiente e Agricultura de São Pedro (SEMAGRI) promoveu, no último sábado (24), um passeio de barco com observação de aves no Tanquã, conhecido como Mini Pantanal Paulista. A atividade reuniu 30 participantes em uma experiência de contato com a natureza e valorização da comunidade que vive na região.
Localizado na planície do rio Piracicaba, entre São Pedro e Piracicaba, o Tanquã é caracterizado por áreas alagadas, lagoas rasas, ilhas e canais. Essa paisagem se formou a partir das mudanças no nível do rio associadas à construção da Usina Hidrelétrica de Barra Bonita, na década de 1960. A dinâmica de cheias e vazantes favorece a reprodução de peixes e a oferta de alimento para diversas espécies de aves.
A região abriga mais de 170 espécies de aves, incluindo espécies ameaçadas de extinção e migratórias. Tuiuiús, colhereiros, garças e martins-pescadores estão entre as espécies encontradas nesse ambiente, importante para a conservação da biodiversidade.
O Tanquã integra a Área de Proteção Ambiental (APA) Tanquã-Rio Piracicaba, criada em dezembro de 2018. A unidade de conservação abrange aproximadamente 14 mil hectares e seis municípios paulistas: Anhembi, Botucatu, Dois Córregos, Piracicaba, Santa Maria da Serra e São Pedro. A APA busca conciliar a conservação ambiental com o uso sustentável dos recursos naturais.
Tragédia ambiental e novas oportunidades para a comunidade
Em julho de 2024, o rio Piracicaba e a região do Tanquã foram atingidos por uma grave mortandade de peixes, que afetou cerca de 70 quilômetros de cursos d'água. Estimativas apontaram a morte de aproximadamente 253 mil peixes.
A Companhia Ambiental do Estado de São Paulo (CETESB) atribuiu o episódio ao lançamento irregular de resíduos industriais provenientes da produção de cana-de-açúcar pela Usina São José, que teria provocado a redução do oxigênio na água.
A empresa negou responsabilidade e afirmou que houve um vazamento acidental. O desastre comprometeu a biodiversidade e prejudicou a atividade de pescadores artesanais, que enfrentaram dificuldades financeiras após a interdição da pesca.
Diante desse cenário, o incentivo ao ecoturismo representa uma oportunidade de diversificar as fontes de renda e valorizar os conhecimentos dos pescadores e condutores de passeios de barco. Embora não substitua a recuperação ambiental necessária, a atividade pode contribuir para fortalecer a economia local e aproximar visitantes da história, da cultura e da importância ecológica do Tanquã.
Para o secretário especial de Meio Ambiente e Agricultura, Rogério Bosqueiro Júnior, valorizar a comunidade local é parte importante desse processo.
“O Tanquã tem uma riqueza ambiental imensa, mas também tem a história e o trabalho de muitas famílias que vivem dessa região. Depois da tragédia ambiental de 2024, que afetou os peixes e prejudicou os pescadores, precisamos olhar também para as oportunidades que podem surgir por meio do ecoturismo. Valorizar esses profissionais, seus conhecimentos e o trabalho que desenvolvem é uma forma de fortalecer a economia local e aproximar as pessoas da importância de preservar esse patrimônio natural. O turismo não substitui a recuperação ambiental, mas pode ser um caminho para gerar renda e valorizar quem faz parte da história do Tanquã”, destacou.
Passeios de barco e valorização dos profissionais locais
Além de proporcionar a observação da fauna e das paisagens alagadas, os passeios de barco permitem conhecer o Tanquã a partir da experiência de pescadores e condutores que vivem e trabalham na região. A contratação desses profissionais é uma forma de valorizar os conhecimentos locais e incentivar o turismo sustentável.
Quem deseja conhecer o Mini Pantanal Paulista pode acessar o site www.semagrisaopedro.com.br e entrar na aba ECOlink, que reúne contatos de pescadores e condutores que oferecem passeios de barco no Tanquã. Dessa forma, os interessados podem entrar em contato diretamente com os profissionais para obter informações e organizar a visita.
O ECOlink é uma iniciativa da SEMAGRI voltada à divulgação de pessoas, serviços e atividades relacionados ao meio ambiente e à sustentabilidade em São Pedro, ampliando a visibilidade de quem contribui para a conservação ambiental e o desenvolvimento local.
A atividade integrou o Calendário Ambiental 2026 da SEMAGRI e contou com o apoio do Thermas de São Pedro, responsável pelo transporte dos participantes, e da Doowon, parceira do programa.
A iniciativa busca aproximar a população do patrimônio natural do município, incentivar práticas de turismo responsável e fortalecer as oportunidades para a comunidade local, contribuindo para a valorização e conservação do Mini Pantanal Paulista.









