A Secretaria Especial de Meio Ambiente e Agricultura (SEMAGRI), em parceria com a Secretaria Municipal de Educação, promoveu uma programação de quatro dias de formação em educação ambiental destinada aos profissionais da rede municipal de ensino.
A iniciativa teve como principal objetivo fortalecer a presença da educação ambiental nas escolas, mostrando aos educadores que o tema pode ser trabalhado de forma integrada aos conteúdos e às práticas pedagógicas já desenvolvidas em sala de aula.
A proposta partiu de uma questão central: a educação ambiental não deve ser compreendida como uma atividade extra ou como mais uma tarefa a ser incorporada à rotina dos professores.
A intenção foi apresentar ferramentas e possibilidades para que os educadores consigam costurar a temática ambiental aos conteúdos previstos em seus planejamentos, tornando o trabalho mais integrado e, consequentemente, evitando uma sobrecarga.
Ao longo da programação, foram realizadas formações específicas para a Educação Infantil e para o Ensino Fundamental, além de duas etapas voltadas ao Ensino Fundamental II.
Nesta última, participaram principalmente professores das áreas de Ciências, História e Geografia, além de outros profissionais interessados na temática, incluindo uma professora de Língua Portuguesa.
As atividades buscaram abordar a importância e a emergência de fortalecer a educação ambiental dentro das escolas, ao mesmo tempo em que apresentaram caminhos para que esse trabalho aconteça de maneira articulada ao currículo.
Um dos conceitos trabalhados durante as formações foi o de educação ambiental crítica, perspectiva que busca ir além da simples transmissão de informações sobre preservação ou comportamento ambiental.
A abordagem procura estimular os estudantes a compreenderem as relações entre sociedade e natureza, refletirem sobre os problemas ambientais presentes em sua realidade e desenvolverem uma postura mais participativa diante dessas questões.
Nesse sentido, a proposta apresentada aos professores foi mostrar que diferentes conteúdos escolares podem abrir espaço para discussões ambientais.
Uma aula de Ciências, por exemplo, pode abordar questões relacionadas aos recursos naturais e à biodiversidade; História pode discutir as transformações do território e as relações entre sociedade e ambiente; Geografia pode trabalhar as relações socioespaciais e os impactos ambientais; enquanto outras áreas do conhecimento também podem incorporar a temática a partir de seus próprios conteúdos.
A formação foi conduzida por profissionais com experiência tanto na educação básica quanto na pesquisa e formação de professores. Entre as formadoras esteve Carolina Rocha Campani, mestra em Educação pela Universidade Estadual Paulista (Unesp), câmpus de Rio Claro, e licenciada e bacharel em Ciências Biológicas pela mesma universidade.
Atualmente professora de Ciências e Chefe do Departamento de Educação Ambiental da SEMAGRI, Carolina desenvolveu pesquisas nas áreas de Educação Ambiental e BNCC e participou de iniciativas de formação docente, além de ter atuado com educação ambiental e conservação de abelhas nativas no Centro de Estudos de Insetos Sociais (CEIS).
Também participou da programação a professora doutora Maria Bernadete, da Unesp de Rio Claro. Graduada, mestra e doutora em Geografia pela universidade, Maria Bernadete atua no Departamento de Educação da Unesp, com experiência em ensino, formação de professores e educação ambiental.
A professora lidera o grupo de pesquisa Coletivo de Pesquisas e Estudos em Ensino de Geografia e participa do grupo A temática ambiental e o processo educativo, ambos cadastrados no CNPq, além de integrar o Projeto EArte, voltado à produção acadêmica em Educação Ambiental.
A abordagem adotada durante os encontros buscou, portanto, aproximar a discussão acadêmica da realidade dos professores e oferecer instrumentos que possam ser utilizados no planejamento cotidiano.
“A educação ambiental precisa estar presente no dia a dia e fazer sentido para a realidade dos alunos. Nosso objetivo é mostrar que ela não precisa representar uma nova tarefa para o professor, mas pode estar integrada ao conteúdo que ele já trabalha.
Quando conseguimos fazer essa conexão, fortalecemos o trabalho pedagógico e, ao mesmo tempo, contribuímos para formar estudantes mais conscientes e preparados para compreender e transformar a realidade em que vivem”, destacou o secretário especial de Meio Ambiente e Agricultura.
Para a secretária municipal de Educação, Samanta Almozara, a integração entre as áreas é fundamental para que a educação ambiental faça parte efetivamente do processo de aprendizagem.
“A educação ambiental precisa estar dentro do processo educativo, e não ser vista como uma atividade isolada ou pontual. Nosso desafio é oferecer aos professores ferramentas para que eles possam trabalhar essa temática a partir dos conteúdos que já fazem parte de suas disciplinas.
Dessa forma, conseguimos evitar uma sobrecarga e, ao mesmo tempo, ampliar as oportunidades de aprendizagem dos nossos estudantes”, afirmou.
Educação ambiental como formação para a cidadania
A perspectiva da educação ambiental crítica apresentada nas formações coloca o estudante em uma posição ativa diante das questões ambientais.
A proposta é estimular a capacidade de observar a realidade, questionar problemas, compreender suas causas e consequências e participar da construção de soluções.
Assim, a educação ambiental pode contribuir não apenas para a adoção de atitudes individuais, mas para a formação de sujeitos críticos, conscientes e participativos, capazes de compreender as relações entre questões ambientais, sociais, econômicas e culturais.
A iniciativa também dialoga com os programas de educação ambiental já desenvolvidos pela Secretaria Especial de Meio Ambiente e Agricultura na rede municipal. O Escola Cata-Vento transforma as escolas em espaços voltados à educação ambiental, promovendo atividades práticas e debates que incentivam alunos e professores a desenvolver projetos de preservação.
A proposta aproxima teoria e prática e contribui para a formação de agentes transformadores dentro da escola e na comunidade. Já o Circuito CEA oferece uma experiência pedagógica interativa nos pontos de apoio do Centro de Educação Ambiental, com visitas guiadas ao viveiro municipal e hortas urbanas comunitárias.









