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SET
25
25 SET 2026
CULTURA
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Concurso Gustavo Teixeira premia novos talentos da poesia
Foto Noticia Principal Grande
foto: Fabiano Renan de Toledo
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O Concurso Gustavo Teixeira de Poesias premiou, na última quarta e quinta-feira, os poemas, autores e declamadores de diversas categorias da competição, com participantes de diferentes idades e inscrições de outras cidades e estados.

O concurso integra a programação da Semana Gustavo Teixeira e as cerimônias de premiação foram realizadas no Espaço Artístico Clarice Zezza Matarazzo nas categorias “Poesias Declamadas” e “Poesias Inéditas”.

Os textos selecionados da categoria “Poesias Inéditas” apresentaram temas variados, passando por memórias de infância, natureza, religiosidade, cultura, sentimentos, saúde emocional, passagem do tempo e histórias ligadas à própria cidade de São Pedro.

Na Categoria I, destinada aos participantes de 6 a 10 anos completos, os cinco primeiros lugares ficaram com estudantes das escolas municipais Joaquim Norberto de Toledo e Iracy Bertochi.

Na Categoria II, voltada aos participantes de 11 a 15 anos completos, foram premiados estudantes de escolas municipais de São Pedro e uma participante inscrita de forma independente.

Já a Categoria III, para participantes de 16 anos completos ou mais, recebeu poemas de autores de diferentes cidades brasileiras, entre elas Paranhos (MS), São Paulo (SP), Belo Horizonte (MG), Fortaleza (CE) e Canoas (RS).

A categoria “Declamação de Poesias Gustavianas” deu voz à obra do Poeta das Rosas.

A seguir, confira os poemas e declamações premiados em cada categoria.

Poesias Inéditas:

Categoria I

6 a 10 anos completos

1º lugar

Escola: EMEB “Joaquim Norberto de Toledo”
Professor orientador: Prof. Sandra Buratto
Autora: Maria Luiza de Lima
Título: O Sol Nunca Desiste
Nome: Maluzinha
Idade: 9 anos

 

O Sol Nunca Desiste

 

Quando a noite fecha os olhos
e o mundo parece dormir,
há uma luz fazendo planos,
pronta para ressurgir.

Lá do horizonte distante,
vem o Sol, devagarinho,
espalhando seus raios dourados
por cada flor do caminho.

Mesmo quando as nuvens chegam
e escondem seu brilho no céu,
o Sol continua raiando
atrás do cinza véu.


2º lugar

Escola: EMEB Joaquim Norberto de Toledo
Professor orientador: Prof. Sandra Buratto
Autor: Samuel Ramos Maciel
Título: A história de Jesus
Nome: Rei
Idade: 9 anos

 

A história de Jesus

 

Jesus nasceu em um humilde lugar,
Trouxe esperança para a humanidade salvar,
Em Belém brilhou uma nova luz:
O filho amado chamado Jesus.

Com amor, ensinou a perdoar,
E aos necessitados veio amparar.
Curou enfermos e fez o bem.
Mostrando o caminho para Jerusalém.

Na cruz sofreu por amor sem igual,
Venceu o pecado e todo o mal.
Sua graça veio o mundo alcançar.

Ao terceiro dia, voltou a viver,
Mostrando que a morte não pode vencer.
Hoje, reina em glória, com poder e luz.
Eterna é a vida em Cristo Jesus!


3º lugar

Escola: EMEB “Iracy Bertochi”
Professor orientador: Prof. Patrícia Aparecida Romera
Autora: Sara Gomes Veroneze
Título: As Flores
Nome: Zaran
Idade: 10 anos

 

As Flores

 

No campo verde e florido,
Destacam-se flores coloridas;
Tão belas e tão perfumadas,
Encantam todas as vidas.

Quem por ali vai passando
Logo para a admirar
A singela margarida,
Que faz o olhar sonhar.

Quando a primavera chega,
Alegram-se as borboletas;
Há tanto pólen nas flores
Que atraem também as abelhas.

Os turistas ficam encantados
Com aquele campo sem igual,
Coberto de flores tão belas
Num dia de sol especial.

As flores se misturam em cores,
Como o brilho do pôr do sol,
Encantando ainda mais
As pessoas ao redor.


4º lugar

Escola: EMEB “Iracy Bertochi”
Professor orientador: Prof. Patrícia Aparecida Romera
Título: Mula
Nome: Muladeiro
Idade: 10 anos

 

Mula

 

A mula é impaciente,
forte, brava e ligeira,
carrega a vida nas costas,
pelos caminhos da serra.

É animal de montanha,
companheira do sertão,
segue firme pelas trilhas,
com coragem e tradição.

Ser tropeiro é tradição,
é cultura e é paixão;
quem conhece uma boa mula
guarda-a no coração.

Pois a mula não é apenas
um animal de montaria:
é companheira de jornada,
de trabalho e de alegria.


5º lugar

Escola: EMEB “Iracy Bertochi”
Professor orientador: Prof. Patrícia Aparecida Romera
Autor: José Henrique Hereman da Costa
Título: O Grande Oreo
Nome: Príncipe
Idade: 10 anos

O Grande Oreo

 

Era um bezerro chamado Oreo,
Que nasceu há poucos dias,
Cheio de charme e encanto,
Com muita alegria.

Ele é muito bonito,
De porte avantajado,
Preto, com manchinhas brancas,
Um bezerro bem cuidado.

Sua mãe é muito bonita,
Branca, com manchas marrons,
Tem um jeito tão gracioso
E encanta nossos corações.

E o pai é bem grande,
De porte forte e imponente;
Ele é todo preto
E muito bonito também.

Oreo é um bezerro especial,
Bonito de se admirar,
Com suas manchas tão charmosas,
Ele veio para encantar.


Categoria II

11 a 15 anos completos

1º lugar

Escola: EMEB “Prof. Maria de Fátima do Amaral”
Professor orientador: Prof. Eunice Maria S. R. de Moraes
Autora: Giulia Marchezoni Zanatta
Título: Bênçãos do dia a dia
Nome: Gi
Idade: 14 anos

Gi

 

Sentei-me, em uma tarde calma,
à sombra mansa da janela.
O vento passava entre as árvores,
Como quem procurava antigas lembranças.

Fechei os olhos e, sem perceber,
voltei a ser criança.

Vi uma velha cadeira de balanço.
Pequenos e magros bracinhos
mexiam-se devagar,
dando corda a um relógio de pulso
que parecia guardar o próprio tempo.

Tic-tac-tic-tac

Naquele instante, eu não sabia
que também guardava memórias.

Lembrei-me das histórias do vovô,
que transformavam tardes comuns
em grandes aventuras.

Lembrei-me das bênçãos que eu pedia,
esperando a mão repousar
sobre minha cabeça.

Lembrei-me dos cafés da manhã,
dos sorrisos de mamãe e papai.

E do almoço.

Aquele almoço simples,
que eu julgava igual a todos os outros.

Mas era ali que a vida acontecia.
Ali que a família se encontrava.

Pensava que aqueles dias
durariam para sempre.

Mas o tempo passou.

Passou como passam os rios,
sem pedir licença.

Hoje compreendo:
as maiores bênçãos
não chegam em dias extraordinários.

Chegam em forma de lembrança.

No tic-tac de um relógio.
Numa bênção recebida com amor.


2º lugar

Escola: EMEB “Gustavo Teixeira”
Professor orientador: Prof. Adriana Aparecida Vitti
Autora: Sophia Cristina de Campos
Título: A canção das princesas
Nome: Nina
Idade: 13 anos

A canção das princesas

Nas terras onde os sonhos dançam,
e as estrelas costuram o véu da noite.
Caminham as princesas em esplendor,
guardadoras de lendas em mistério e segredos.

No horizonte, palácios se erguem,
erguendo torres que alcançam o luar.
Cada janela guarda um sussurro de contos,
cada porta esconde um segredo a revelar.

Elas vêm com vestidos de luzes radiantes,
cores de aurora, de rosa de marfim,
através dos bosques sob a névoa constante,
seus passos ecoam, caminhando sem fim.

A primeira delas de fogo e de brisa,
chama-se Líria, a guardiã do luar.
Com olhos profundos como abismos,
dança entre sombras no silêncio a cantar.

A segunda Selene, rainha da lua,
envolta em mistérios de ouro e cristais
ela guia os navegantes nas névoas,
prometendo destinos, cumprindo rituais.

E assim, rainhas de eras passadas,
nos contos eternos, nas noites de verão.
Cada um traz consigo esperanças,
de amores perdidos de eterna devoção.

As princesas marcham, guerreiras de glória,
rostos serenos, cheios de dor.
Lutando por mundos que vivem em histórias,
desafiando dragões com um toque de amor.

Oh! Multidões ouçam suas vozes!
Cantando em coro a melodia ancestral.
Reescrevendo destinos, desfazendo as poses,
trilhando os caminhos do bem e do mal.

Seus corações batem como tambores,
ecoando promessas na vastidão do céu,
na luta pela paz, em meio às dores,
trazem esperança, luz de um véu.

Que a luz dessas princesas nunca se apague.
Que seus feitos ressoem nas páginas do ar,
pois cada olhar, uma história que se imagina,
e cada suspiro, um novo despertar.

Assim, entre as estrelas, onde sonhos se encontram,
as princesas dançam sob a bênção do luar.
Guardando segredos da vida que encantam.
E forjando futuros com amor a sonhar.


Inscrição independente

Autora: Rafaela Piassa Viegas da Silva
Título: Restos.
Nome: Ravi
Idade: 15 anos

 

Restos

 

Existe uma versão minha que ficou parada naquele instante,
enquanto outra, quase por instinto,
continuou vivendo, de forma desgastante.

Às vezes sinto falta dela.

Não de quem eu seria se aquilo nunca tivesse acontecido.
Não de uma versão mais feliz.
Só de uma versão mais leve.

Porque há dias em que sinto raiva de quem me tocou,
do que fez, do que de mim, tirou.

E talvez o mais difícil de admitir seja que
eu não me sinto destruída.

Me sinto alterada.

Como um livro que caiu na água.

As páginas encharcadas,
algumas borradas, outras rasgadas,
palavras que já não se deixam ler direito.

Porém a história continua ali.
Ainda existe.

Só não existe mais a possibilidade
de voltar a ser o livro que era antes.

E eu finjo esquecer.

Tento esquecer.

Às vezes, até consigo.

Porque o mundo não para para esperar
aquilo que ficou preso dentro da gente.

O ônibus passa.
O café esfria.
As pessoas riem.

Alguém me chama pelo nome,
e, por alguns segundos,
parece que meu nome ainda cabe inteiro em mim.

Mas existem dias em que a memória volta
sem trazer memória alguma.

Não há cena.
Não há imagem.
Não há começo, nem fim.

Só uma sensação.

Um erro na respiração.

Um medo sem direção.

Um silêncio que pesa mais do que deveria.

E então eu entendo.

Talvez esquecer nunca tenha sido apagar o que aconteceu.

Talvez seja aprender a continuar existindo
mesmo quando alguma parte de nós ainda está tentando entender
por que aconteceu.

A versão que ficou naquele instante ainda existe.

Mas eu também existo.

Ela ainda vive em mim,
mas eu também sou daqui,
e sobreviver é isso,
me reconhecer no que eu perdi.


4º lugar

Escola: EMEB “Guido Dante”
Professor orientador: Prof. Juliana Niero
Autora: Ariane Oliveira dos Santos
Título: Para o meu querido e velho amigo Gustavo Teixeira de um século doloroso e moderno
Nome: Poeta dos lírios
Idade: 12 anos

 

Para o meu querido e velho amigo Gustavo Teixeira de um século doloroso e moderno

 

O tempo passa e a dor continua,
A tecnologia avança a alma se machuca,
Enquanto a fome crua ecoa pela rua!

Vivemos presos nessa rede densa,
Onde o real se perde em ilusão,
Onde a realidade cede à falsidade,
E o abraço acolhedor virou uma exceção!

Homens decidem quem vive e quem morre,
Enquanto o sangue inocente nas valas escorre,
A beleza virou padrão, e o espelho, uma prisão
Mães não dormem por preocupação,
Pessoas mentem para sua própria tentação.

Jovens e mulheres feridos no corpo e na mente,
Mortes imprevisíveis ocorrem de repente,
O tempo tem pressa como uma correnteza fria e feroz,
Enquanto a carga do mundo esmaga a nossa voz.

Ah meu caro, que saudade do antigo tempo,
De quando as rosas tinham cheiro de vinho,
E de quando as palavras não continham veneno.

Que saudade dos puros e verdadeiros amores,
das paixões inocentes da infância,
das famílias unidas, das crianças brincando
e dos encantos da vida!

Ah, querido amigo, seu tempo foi lindo,
você continua vivo, no legado perpetuado,
com o seu meigo e dócil sorriso,

Com o afeto de quem compartilha contigo
o peso e a beleza dos dias.

Sua grande amiga,
Teixeira


5º lugar

Escola: EMEB “Benedito Modesto de Paula”
Professor orientador: Prof. Juliana Niero
Autora: Thaís Gabrielli da Silva
Título: O Peso dos Passos
Nome: Tata
Idade: 15 anos
Leitura: Thaís Gabrielli da Silva (Autora)

 

O Peso dos Passos

 

O relógio corre na parede,
mas meus passos parecem colados ao chão.

Há um mundo inteiro gritando lá fora,
e eu ainda escavo o peito à procura de coragem
para girar a chave e abrir a porta.

As horas desabam lentamente,
como se o próprio tempo fosse um bloco de chumbo sobre mim.

Cada segundo pesa como um fardo de areia,
cada pensamento, uma pedra pontiaguda
que carrego escondida sob as costelas.

A ansiedade chega sem pedir licença,
arromba a porta trancada da mente
e entra espalhando poeira e perguntas:

“E se tudo der errado?”
“E se ninguém decifrar o teu silêncio?”
“E se as pernas não conseguirem continuar?”

Então meu coração chuta o peito,
minhas mãos congelam como o inverno,
e o ar parece pequeno e estreito demais
para caber no labirinto que há dentro de mim.

Eu tento puxar o oxigênio,
mas até o simples ato de respirar
vira uma guerra de trincheiras.

A depressão, por sua vez,
não chega quebrando os móveis.

Ela desliza na escuridão, em silêncio,
sentando-se ao meu lado no sofá
como uma sombra antiga e pesada
que decorou todos os meus medos.

Ela borra as cores dos dias,
empurra o sol para trás de um muro distante
e transforma pequenos instantes felizes
em fotografias velhas, difíceis de alcançar.

O riso dos outros ecoa do outro lado da rua,
como se eu estivesse presa atrás de uma vitrine
de vidro grosso,
assistindo à vida acontecer sem conseguir tocá-la.

Há dias em que empurrar os lençóis
parece escalar uma montanha de rocha nua.

O corpo pesa como ferro,
os olhos ardem com o cansaço dos dias,
e a alma sussurra num sopro baixinho:

“Fique aqui, coberta pelo esquecimento do mundo.”

Mas eu sei que, no fundo,
minha voz não quer desaparecer.

Quero apenas uma trégua dessa dor,
silenciar por um segundo que seja
essa tempestade de raios,
que nunca dorme dentro da minha cabeça.

E mesmo quando o apagão parece completo,
há uma faísca teimosa que resiste.

Ela é frágil,
um fio invisível de luz,
mas continua queimando no escuro,
lembrando-me de que a terra ainda guarda
um pedaço de primavera em mim.

Talvez a cura não seja um susto.

Talvez ela chegue de mansinho,
como a luz da manhã que rasga o céu,
tímida, depois de uma noite que parecia eterna.

Um milímetro de cada vez,
um sopro de ar de cada vez,
um pequeno ensaio de coragem.

Então, eu seguro a maçaneta e abro a porta.

Não porque o medo tenha arrumado as malas
e ido embora,
mas porque decido que ele vai caminhar ao meu lado.

E ao dar esse primeiro passo na calçada,
descubro que a luz, mesmo escondida entre as nuvens,
ainda lembra o caminho para me encontrar.


Categoria III

16 anos completos ou mais

1º lugar

Cidade: Paranhos/MS
Autora: Debora Silva Proença
Título: As Marias de Joaquina

Nome: Neta do Silêncio
Idade: 38 anos

 

 

As Marias de Joaquina

Não é lenda, nem invenção do tempo.
É Joaquina, carne, memória e pensamento.

Quarenta e sete anos sobre a Terra,
ventre aberto, vida que não se encerra.

Dezessete filhos no corpo cansado,
nomes paridos, destino entrelaçado.

Pariu Marias, pariu silêncio.

No último parto, fez travessia em suspenso.

Foi cedo demais.

Ficou a ausência.

Filhas sem colo,
sem permanência.

O silêncio ocupou o lugar da voz.

Treze anos depois,
outra Maria chegou até nós.

No mesmo dia da despedida,
quinze de maio abriu outra vida.

Eu nasci ali,
neta do silêncio,
entre o fim e o começo.

Vida chegando,
morte em endereço.

Aprendi a ouvir o que não foi dito,
os sussurros guardados no não escrito.

A dor que não coube no corpo dela
pediu palavra,
pediu janela.

Porque a travessia também pode voltar.

E eu escrevo o amor
que ela não pôde amar.

As Marias, agora,
têm chão,
têm nome,
têm memória.


2º lugar

Cidade: São Paulo
Autor: Ricardo Marcolongo Melo
Título: A Última Estação das Paineiras
Nome: Hamleto di Padova
Idade: 48 anos

A última estação das paineiras

 

A tarde caía lentamente sobre a cidade.

As paineiras começavam a perder suas folhas,
e pequenas nuvens brancas atravessavam os galhos
como lembranças que já não sabiam onde pousar.

Caminhei pela rua antiga sem saber exatamente o que procurava.

Talvez você.

Talvez aquilo que restara de nós
depois que o tempo levou quase tudo.

Havia uma estação abandonada ao longe,
os trilhos desaparecendo sob o mato,
e o silêncio de alguma partida
que ninguém mais se lembrava de ter vivido.

As painas flutuavam pelo ar,
brancas e leves,
como pequenas almas procurando morada.

Pensei em você.

Na maneira como certas pessoas não desaparecem quando partem.

Apenas mudam de lugar.

Passam a existir nas árvores,
nas casas vazias,
na luz das tardes que já não esperamos.

Parei diante da maior paineira.

Seu tronco guardava cicatrizes antigas.

Encostei a mão em sua casca
como quem toca a porta de uma casa perdida.

E compreendi que aquela era a última estação.

Uma paina pousou sobre meu ombro.

Fiquei ali por alguns minutos,
até que o vento a levou.

E pela primeira vez não tentei segurá-la.

Algumas despedidas só acontecem
quando deixamos de perseguir aquilo que parte.

Voltei para casa ao anoitecer.

Atrás de mim, as paineiras continuavam soltando
suas últimas lembranças sobre a cidade.

E eu soube que também havia chegado
a minha última estação.


3º lugar

Cidade: Belo Horizonte/MG
Autor: Alexandre Costa Moraes
Título: Nascente
Nome: John D. Rockefeller
Idade: 48 anos

Nascente

 

São Sebastião saiu do altar.

São Pedro chegou e ocupou lugar

A cidade nasceu entre dois santos,
com um nome novo e um silêncio antigo.

Um tropeiro deitou o cansaço na serra.

Quando partiu, esqueceu um pouso.

Ao redor dele cresceram capela,
ruas, coreto e ferraduras enterradas no tempo.

O café vestiu a cidade de domingo.

Depois secou nos galhos
e deixou as casas com fome.

As mulheres atravessaram a ruína com agulhas.

Cada ponto cruz fechava uma ferida.

Cada linha impedia uma parede de cair.

Vieram homens procurando petróleo.

Cravaram máquinas no ventre da terra.

Ela não lhes deu fogo.

Deu água.

São Pedro então chamou de nascente
tudo aquilo que sangra e não morre.


4º lugar

Cidade: Fortaleza/CE
Autora: Elvira Glória Drummond Miranda
Título: O Choro da Chuva
Nome: Rosália
Idade: 72 anos
Leitura: Cerimonialista

 

Rosália

 

A chuva cantarola na janela…
dedilha o canto atroz, nota por nota,
chorando a triste sina que revela
as artimanhas vis que o tempo adota.

O tempo faz a nuvem de aquarela
acinzentar-se d’água… e, assim, sabota
o branco natural (tão próprio dela):
transforma o canto em pranto de derrota.

O tempo — na janela do meu peito —
dedilha, em tom ardil, o amor desfeito…
(eu choro de saudade e de desgosto!)

Se a chuva chora a dor em céu aberto,
meu choro, pela chuva, está coberto:
assim, disfarço a lágrima em meu rosto.


5º lugar

Cidade: Canoas/RS
Autor: Lourival Antonio de Carvalho Junior
Título: Junho Brasileiríssimo
Nome: Demétrius Antonov
Idade: 42 anos
Leitura: Cerimonialista

 

Junho Brasileiríssimo

 

Chegou junho vestido de neblina,
com mãos de orvalho e cheiro de capim;
o céu acende a aurora cristalina,
e o outono ensaia o seu discreto fim.

Nos bosques canta o sabiá primeiro,
na mata antiga o vento faz sermão;
desperta a serra em verde derradeiro,
e o rio leva espelhos pela mão.

Mas não é o junho das florestas frias
onde o pinheiro arqueja entre pinhais:
aqui florescem outras melodias
sob os azuis dos trópicos natais.

É o mês de mil fogueiras e de estrelas,
de milho assado e mansa claridade.
Dançam bandeiras… Quem não há de tê-las
nos eternos folguedos da saudade?

Pelos rincões do interior distante,
afina-se a sanfona em lento ardor;
cada faísca sobe, vacilante,
como uma prece acesa ao Criador.

Pois junho no Brasil não traz somente
do tempo o passo rígido afinal:
traz a infância escondida na nascente,
e as luas grandes sobre o cafezal.

Quem pode ouvir a noite sertaneja
sem crer que o mundo ainda guarda encanto?
Quem não vê a brasa rubra e não deseja
fazer da vida um rito breve e santo?

Assim transcorre o mês, sereno e brando,
entre fumaça, frio e tradição;
e a noite vai, sem perceber, cismando
mais pátria, mais memória e mais canção.

 

Declamação de Poesias Gustavianas:

Categoria 1  - 6 a 10 anos

1º lugar – Estela Aparecida de Azevedo Favoretto, da BMP, com a declamação de “O leque”, de Gustavo Teixeira.

2º lugar – Manuella Siqueira Salcedo, do IB, com “A libélula”.

3º lugar – Maitê Toledo Lemos, da JNT, com “A carta azul”.

4º lugar – Manuella Mascari de Carvalho, da JNT, com “Canção da tarde lilás”.

5º lugar – Maria Alicia Caputo, da JNT, com “Rosa”.

 

 

Categoria 2 - 11 a 15 anos

Na categoria destinada a participantes de 11 a 15 anos completos, os vencedores foram:

1º lugar – Rafaela Piassa Viegas da Silva, da JAP, com a declamação de “Quando o amor morre (Ecos da Alma)”, de Gustavo Teixeira.

2º lugar – Maria Antonia Bazaga Cambauva, do GT, com “As estrelas”.

3º lugar – Caique Daniel Franco Silva, do GT, com “Refúgio da arte”.

4º lugar – Manuella Sousa Maia, do GT, com “Jardim abandonado”.

5º lugar – Emily Gabriella Miranda Venturini, do GT, com “Canção da tarde lilás”.

 

 

 

Seta
Telefone: (19) 3481 9200
Endereço: Rua Valentim Amaral, 748, Centro | CEP: 13520-033
Das 08h00 às 17h00
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