A confirmação do fenômeno
Super El Niño 2026/2027 colocou os órgãos de monitoramento climático de todo o Brasil em estado de atenção.
Segundo o Instituto Nacional de Meteorologia (INMET), a previsão é de um segundo semestre marcado por temperaturas elevadas, baixa umidade do ar e redução das chuvas — características típicas da estação seca, mas que podem ser intensificadas pelo
Super El Niño, com o aumento do risco de incêndios em áreas urbanas, rurais e de vegetação nativa, além de trazer desafios para a produção agropecuária.
Se antecipando a todos esses riscos, a Prefeitura de São Pedro conta com um programa que reúne ações de educação ambiental, comunicação, fiscalização, capacitação de equipes e orientação à população.
O programa se chama
“São Pedro Sem Fogo” e foi desenvolvido pela Secretaria Especial de Meio Ambiente e Agricultura (SEMAGRI) com o objetivo de conscientizar moradores e produtores rurais para reduzir a ocorrência de incêndios e fortalecer a prevenção, protegendo o patrimônio ambiental e a segurança da população.
Segundo a engenheira ambiental da Secretaria Especial de Meio Ambiente e Agricultura (SEMAGRI), Paula Souza, embora o município tenha registrado um volume de chuvas acima da média nos últimos meses, o cenário mudou com a confirmação do fenômeno.
"Além dos danos ambientais, os incêndios comprometem a qualidade do ar, afetam a biodiversidade, provocam prejuízos econômicos e aumentam os riscos à saúde da população, principalmente entre crianças, idosos e pessoas com doenças respiratórias”, diz.
O El Niño é um fenômeno climático natural provocado pelo aquecimento das águas do Oceano Pacífico Equatorial. Essa alteração modifica a circulação atmosférica e influencia os regimes de chuva e temperatura em diversas regiões do planeta. Em um contexto de mudanças climáticas, seus efeitos tendem a ser mais intensos, favorecendo ondas de calor, estiagens prolongadas e eventos extremos.
Reflexos no campo
Os efeitos do Super El Niño também preocupam o setor agropecuário. Segundo o INMET, o fenômeno tem 81% de probabilidade de atingir a categoria "muito forte", podendo se tornar o episódio mais intenso dos últimos 150 anos, com impactos previstos entre agosto de 2026 e o início de 2027.
Na região de São Pedro e Piracicaba, o principal efeito esperado é o aumento das temperaturas e da demanda por água, exigindo maior planejamento dos produtores.
Segundo o engenheiro agrônomo Tiago José Cavalheiro, responsável pela CATI (Coordenadoria de Assistência Técnica Integral de São Pedro) de São Pedro, o principal impacto do Super El Niño para o campo será o aumento da demanda por água. "O calor extremo acelera a perda de umidade do solo e dos rios, fazendo com que os produtores precisem aumentar a frequência e o volume da irrigação. Isso acaba elevando a demanda por água", explica.
O especialista destaca que os efeitos do fenômeno variam conforme a atividade agrícola. "Na horticultura e na fruticultura, o excesso de calor pode provocar o abortamento das flores, queimaduras causadas pela radiação solar e perda da qualidade comercial da produção. Já nas culturas de soja e milho, a combinação de altas temperaturas e baixa umidade pode comprometer a germinação das sementes e reduzir o potencial produtivo", ressalta.
Na pecuária, os reflexos também são significativos. O estresse térmico reduz o consumo de alimento pelos animais e compromete a produtividade. "No gado leiteiro, isso leva à queda na produção de leite, porque a energia passa a ser utilizada para o conforto térmico. Já no gado de corte, o ganho de peso diminui, aumentando o tempo necessário para que os animais atinjam o peso ideal para o abate", acrescenta.
Diante desse cenário, especialistas recomendam medidas como o uso eficiente da irrigação, a conservação da umidade do solo, o sombreamento de culturas e animais e o planejamento das atividades agrícolas para reduzir os impactos do Super El Niño.
Queimadas são proibidas
Em São Pedro, a realização de queimadas é proibida pelo artigo 35 da Lei Complementar nº 78/2012 (Código de Posturas Municipal). A norma proíbe a queima de mato, folhas, galhos, lixo, entulho e quaisquer outros materiais combustíveis em vias públicas e no interior de imóveis urbanos, sejam eles públicos ou particulares. O descumprimento da legislação constitui infração e está sujeito à aplicação de multa.
Como prevenir
A colaboração da população é essencial para evitar incêndios. Entre as principais orientações estão:
- Não queime lixo, folhas, galhos ou terrenos;
- Não descarte bitucas de cigarro em áreas de vegetação ou às margens de rodovias;
- Evite atividades que possam gerar faíscas próximas à vegetação seca;
- Ao identificar fumaça ou um princípio de incêndio, acione imediatamente os órgãos responsáveis.
A responsável pelo Departamento de Fiscalização Ambiental da SEMAGRI, Karen Vespo, reforça a importância das denúncias.
"Infelizmente, muitas vezes a conscientização acontece apenas quando há responsabilização. As denúncias são fundamentais para identificarmos os responsáveis e aplicarmos as medidas previstas na legislação. Sempre que possível, envie fotos ou vídeos do foco de incêndio e informe o endereço da ocorrência. Todas as denúncias são tratadas com absoluto sigilo."
Canais para denúncias e emergências
SEMAGRI: (19) 99798-0983
(segunda a sexta-feira, das 8h às 17h)
Envie foto, vídeo e o endereço da ocorrência.
Guarda Civil Municipal: 153 ou WhatsApp (19) 3481-9278
(24 horas)
Emergências
- Corpo de Bombeiros: 193
- Defesa Civil: 199
- Guarda Civil Municipal: 153