ENTREVISTA: Secretária de Saúde, Miriam de Souza Silva

“Trabalhar em São Pedro é um grande desafio”, diz secretária de Saúde

Um dos maiores desafio da atual administração pública de São Pedro está nas mãos da administradora hospitalar, Miriam de Souza Silva. Graduada e especializada na Faculdade São Camilo, há 25 anos ela desenvolve ações nas áreas de faturamento, auditoria, custos, negociação contratual de convênios, gestão hospitalar e também gestão de recursos.

Depois de atuar no Instituto do Coração, Fundação Faculdade de Medicina, Hospital A. C. Camargo, Hospital Albert Einstein, Hospital do Rim e Hipertensão, e Hospital do Transplante do Estado de São Paulo, Miriam aceitou o desafio de trabalhar em São Pedro.

Assim como em todo Brasil, a saúde pública do município passa por antigos problemas financeiros e estruturais. Durante esses primeiros meses, inúmeras reuniões, discussões, ações e, principalmente, mudanças, marcaram o trabalho. Focada numa gestão eficiente, a secretária acredita que o primeiro passo é pensar na saúde como um todo, e não trabalhar com intervenções isoladas.

Como a senhora encontrou a Secretaria de Saúde no início do ano?

Nosso primeiro problema foi na área do transporte. Tivemos muita dificuldade para realizar o transporte de pacientes, já que quase 80% da frota estavam praticamente sucateadas. Das quatro ambulâncias, por exemplo, tínhamos uma para a secretaria e outra para dividir com a Santa Casa. Mas, logo nas primeiras semanas de janeiro, tivemos todo respaldo financeiro da prefeitura para realizar os devidos reparos nos veículos que tínhamos e regularizamos os documentos de alguns, que estavam vencidos há meses. Apesar de tudo, o resultado desse trabalho já gerou ótimos índices. Durante esses primeiro três meses de 2013, transportamos 3456 pacientes e acompanhantes, o que totalizou em 636 viagens para os principais Centros de Atendimento e Referencia do Município.

Muitas pessoas reclamavam da falta de medicamentos, esse problema foi resolvido?

Nesse setor tivemos melhorias em poucas semanas. Diferente do ano passado, quando a compra dos medicamentos só aconteceu no segundo semestre, nesta gestão conseguimos adquirir o que precisamos em pouco tempo. Para ter uma noção das mudanças de procedimentos e organização na hora da compra, em praticamente 106 dias de trabalho, distribuímos 8.560.551 itens de medicação. Esse número é consideravelmente superior a todo ano de 2012, quando foram entregues 5.544.816 itens.

Como o município tem agido diante dos casos de dengue?

As atividades da Vigilância em Saúde, que compreende a Vigilância Sanitária, Vigilância Epidemiológica e Controle de Vetores, foram altamente intensificadas diante ao crescente número de casos notificados da dengue. Estamos realizando diversas ações preventivas e orientando a população com divulgação de panfletos, carro de som e também trabalhando em conjunto com a Secretaria da Educação, que faz o alerta por meio dos alunos. Além da visita de casa em casa, estamos realizando o bloqueio e o serviço de pulverização nos bairros onde residem pessoas com casos confirmados da doença. Entre outras ações, além da distribuição de vacinas e a campanha de doação de sangue, no último dia 15 iniciamos a Campanha de Vacinação contra a Gripe Influenza. No último sábado, no Dia D, vacinamos 46% da população estimada. Vamos prorrogar a campanha para atingir pelo menos 80% das seis mil pessoas do público alvo.

Sabemos que a Santa Casa está sob intervenção da Prefeitura, quais ações foram realizadas para melhorar o atendimento da instituição?

A Santa Casa de São Pedro está passando por uma efetiva reformulação em vários setores. Na equipe médica, por exemplo, que realiza os plantões no Pronto Socorro, contamos com profissionais especializados nos atendimentos da urgência/emergência, iniciamos as realizações das cirurgias eletivas nas especialidades de cirurgia geral, ginecologia e obstetrícia. Outra novidade que vai beneficiar bastante a população é um programa de mutirões na especialidade de otorrino; área que temos a maior demanda reprimida no município. O Centro Cirúrgico do hospital está sendo adequado e equipado para atendermos a demanda nos procedimentos de media complexidade. O índice de partos cresceu 80% em relação a media anual de 2012. A Santa Casa também voltou a realizar os exames de mamografia.

No caso da infraestrutura, haverá alguma obra ou ampliação nas unidades de saúde?

Sim, inclusive na própria Santa Casa. Estamos finalizando um projeto que permitirá a vinda de recursos para revitalizar aquela ala do prédio que está desativada. Com essa obra, vamos aumentar o número de leitos e consequentemente, incrementar o atendimento prestado tanto aos pacientes do SUS quanto aos particulares. Estamos desenvolvendo projetos de melhoria para a ampliação e adequação da rede de Atenção Básica, treinamento e capacitação nos funcionários na humanização do atendimento conforme preconiza o SUS. Por meio de convênios com os governos Estadual e Federal, estamos finalizando projetos de reforma e ampliação do PSF do Alpes das Águas, da UBS de São Dimas, do Centro de Saúde Bucal e UBS Santo Antonio. Também pleiteamos a construção de três novas unidades de saúde nos bairros Theodoro de Souza Barros, Dorothea e Limoeiro.

A senhora tem informações sobre o prédio da UPA?

A Unidade de Pronto Atendimento de São Pedro é um problema sério e de certa maneira complexo. Como a obra foi inaugurada no final do ano passado, nós tínhamos a ideia de que estava tudo pronto. Mas, infelizmente, numa visita técnica com um representante da Coordenação Geral de Urgência/Emergência do Departamento de Atenção Especializada, do Ministério da Saúde, verificamos faltaram serviços básicos, como na parte hidráulica, elétrica, sistema de gás e até problemas de infiltrações. Na sala de Raio X, por exemplo, a parede foi encontrada sem a proteção de chumbo. Notamos que a empresa percebeu o erro, retirou o reboco, mas não finalizou o trabalho. Fomos até Brasília, no próprio Ministério, e trouxemos a seguinte informação: Ou terminamos a obra com recursos próprios ou devolvemos todo o dinheiro do convênio. Então, para finalizar a obra e comprar todo equipamento, precisamos de aproximadamente R$ 700 mil. Temos que confiar. Acredito que o prefeito Helinho Zanatta encontrará a melhor saída para colocamos o mais breve possível essa unidade em funcionamento; a população merece.

Publicado em: 27/04/2013 17:05

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