Convivência é destaque em grupos da saúde

Aulas de crochê e oficinas de artesanato ensinam mais do que pontos e atividades manuais

As unidades básicas de saúde são também espaços de convivência que reforçam laços entre usuários da rede municipal de saúde e estimulam o bem estar mental. Há casos de atendimento direcionado, como o realizado no Caps (Centro de Atenção Psicossocial) e aqueles criados com o objetivo de garantir o bem estar mental e a convivência, caso do grupo As Aranhas do Crochê, iniciado há um ano na unidade de saúde do Alpes.

A ideia de criar o grupo no Alpes foi da agente comunitária de saúde Cândida Mattos. “Surgiu a proposta de criar um grupo de convivência e integração social. O crochê tem uma linguagem universal, que estimula a coordenação motora e é um antídoto poderoso para crise depressiva, síndrome do pânico e ansiedade,” conta a agente que usou sua própria experiência com a depressão na criação do grupo.

“Aproximadamente 100 pessoas já passaram pelas aulas e há um perfil variado: crianças, idosos, especiais. Todos podem aprender”, relata Cândida, que destaca também o vínculo criado entre os participantes. “Já fizemos festa junina, conversamos bastante e outras participantes ensinam outros trabalhos manuais, há sempre troca de experiências”, conta.

Clarice Frappa, uma das participantes do grupo, sente-se bem em frequentar as aulas. “Além de aprender, nós também desenvolvemos outras ações que nos fazem muito bem, como por exemplo, quando arrecadamos alimentos para ajudar uma pessoa”.

Adenise de Oliveira conta que quando começou as aulas, não sabia nada de crochê. “Não sabia sequer pegar na agulha e o primeiro trabalho não foi nada básico: um tapete com vários pontos diferentes. Conseguir executar a tarefa é uma satisfação muito boa”, relata a frequentadora do grupo que buscou a atividade após a aposentadoria. “Trabalhei a vida inteira e depois de parar, buscava uma forma de ocupar a mente para desenvolver outras habilidades”, conta. O resultado agradou. “Hoje tenho trabalhos até em outros Estados e a integração que o grupo proporciona é muito boa”, elogia.

Luciana Chaves, 31, é uma das pacientes especiais da turma. Apesar de suas deficiências cognitivas, realiza com disciplina os trabalhos manuais. “Gosto bastante”, revela.

Maria José Moreira Maluf foi ao grupo pela primeira vez na última terça-feira. “Em um grupo que tem o mesmo objetivo, uma encoraja a outra em todos os sentidos e isso é muito bom. O crochê também é importante para ativar a mente”, afirma.

CAPS – Criado em outubro do ano passado, o Caps (Centro de Atenção Psicossocial) de São Pedro atende hoje aproximadamente 200 pacientes. O prédio tem estrutura até para atendimento de emergência e fica em área anexa à Umis.

Definido como unidade de atendimento intesivo e diário a pessoas com sofrimento psíquico grave, o Centro é uma alternativa ao modelo centrado no hospital psiquiátrico e permite aos usuários convivência com familiares e a comunidade.

Ana Lúcia Castro, responsável pela unidade, conta que o processo de implantação do Caps de São Pedro garantiu um atendimento diferenciado. “Toda a rede de atenção básica foi treinada e os profissionais foram capacitados para atender os pacientes encaminhados para o Caps de maneira multidisciplinar, sempre com foco na transformação e recuperação do paciente”, explica.

Oficinas de artesanato, cultivo de hortaliças, oficina de pães, atividades com foco na autonomia, limites e realizações de atividades diárias são algumas das ações realizadas no Caps, além do atendimento do médico psiquiatra. “Trabalhamos também com a família, que muitas vezes passa por um desgaste emocional”, relata Ana.

Outro atendimento realizado é específico para dependentes de álcool e drogas.  “Nosso objetivo sempre é garantir mudanças na vida das pessoas, mostrar todo o potencial que eles têm”, reforça Ana. A equipe do Caps é formada por médico psiquiatra, terapeuta ocupacional, enfermeira padrão, psicóloga, assistente social, auxiliar administrativo e oficineira.

Entre os planos da equipe está a implantação de um espaço na Feira de Artes e Artesanato para comercialização dos produtos feitos pelos pacientes.”Queremos mudar o olhar que muitas pessoas tem para o paciente e mostrar seus valores e capacidades”, avisa a responsável pelo Caps.

  • Publicar no Facebook
  • Publique um Tweet no Twitter
  • Enviar por e-mail
  • Copiar URL curta
  • Imprimir
  • Comunicar erros
VLibras botão
Acessibilidade com Libras

VLibras

O conteúdo da Prefeitura de São Pedro pode ser traduzido para a LIBRAS (Língua Brasileira de Sinais) através da plataforma VLibras.

Clique aqui (ou acesse diretamente no endereço - http://www.vlibras.gov.br/) e utilize a plataforma.