Avistar promove passeio em São Pedro

Grupo de frequentadores e seus familiares foi ao Parque Maria Angélica e ao Rancho da Tirolesa

Carla Franchi Neves, 28 anos, frequenta a Avistar, entidade que atende pessoas com deficiência visual há apenas três meses, mas seu problema de visão é mais antigo. Aos seis meses de gestação da filha Vitória, hoje com 3 anos, precisou fazer uma difícil escolha: uma complicação da diabetes que ela tem desde os 6 anos gerou sérios problemas de visão. Se ela fizesse o tratamento para salvar a visão, a filha seria afetada. “Escolhi minha filha”, conta.

Desde então muita coisa mudou na vida da técnica de enfermagem hoje afastada das funções e sem visão. “Precisei aprender a fazer tudo sem enxergar. Limpo casa, cozinho, lavo roupa, faço tudo. E desenvolvi uma maneira de saber as cores das roupas”, relata.

Na Avistar que fica em Piracicaba, mas também atende pacientes da região, Carla aprende  a usar a bengala, está aprendendo braile e tem atendimento, como os outros pacientes, de psicóloga. “Foi uma fase difícil, mas não me entreguei”.

Com postura otimista, aproveita atividades realizadas pela Avistar como o passeio da última terça, dia 25, ao parque Maria Angélica e ao Rancho da Tirolesa. No Parque Maria Angélica, foi a primeira adulta a andar na ‘bolha’ de plástico sobre a água. “Foi muito bom, dei até cambalhota lá dentro”, diverte-se.

Antes dela, as crianças Alice Bune São Miguel, de 11 anos e Leonardo Vieira Otoni, 13, também se divertiram no ‘brinquedão’. Os dois são frequentadores assíduos e antigos da entidade. Alice vai desde os 7 meses e Leo desde os 3 anos.

Coordenadora da entidade, Andrea Cancelieri Almeida conta que todas as crianças atendidas hoje na Avistar perderam a visão como consequência de tratamentos feitos pela prematuridade. Depois de muitos casos, a entidade firmou parceria com hospitais para evitar novas ocorrências. Outra vitória neste caso são os acompanhamentos e exames feitos nos recém-nascidos, tudo para evitar problemas de visão.

O principal objetivo da Avistar, criada em 2005, é promover condições favoráveis para o desenvolvimento das pessoas com deficiência visual, com projetos que garantam inclusão social, inserção profissional e qualidade de vida.

O atual presidente, Ronaldo Canceliero, conta que a entidade recebe recursos públicos que cobrem aproximadamente 40% das despesas da entidade que tem 10 funcionários. “O restante vem de promoções, eventos e da Nota Fiscal Paulista”.

Eduardo Azzini, professor de educação física, conta que trabalha com os atendidos pela entidade temas com orientação e mobilidade. “São técnicas que facilitam o cotidiano”, aponta.

Além das orientações deste profissional, os frequentadores da entidade tem atividades de terapia ocupacional, acompanhamento pedagógico, alfabetização em braile, informática e várias oficinas de artesanato.

Passeios como o realizado em São Pedro são frequentemente organizados pela entidade. “Queremos torná-los os mais participantes possível”, diz Andrea.

AVENTURA NA TIROLESA - Márcio Domingues, de 34 anos, ficou cego há 1 ano e meio após uma infecção e descolamento de retina. “Estou reaprendendo muita coisa. Cada situação é uma nova experiência. E esta foi minha primeira vez em uma tirolesa. O que senti? Liberdade! A sensação é maravilhosa e não dá medo. Não é porque fiquei cego que se deve ter limites. A única coisa é que agora posso “ver” de uma maneira diferente. ‘Vejo’ pelos sentidos”, relata.

Márcio também relata a experiência de andar de avião. “A primeira vez ainda não estava cego. Depois, quando não mais tinha visão, a experiência foi totalmente diferente. Mas isso que é viver. Ter novas oportunidades e novas sensações ”, disse.

Outras informações sobre a Avistar podem ser obtidas em avistar.org.br

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